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POLÍTICA&FEMININO: UM MUNDO PARA ELEGER MULHERES.

"(...)é preciso compreender que, para 2020, aderir ao razoável não é um posicionamento, é uma fundamentalidade.(...)"

-Martina Louise Schneider

A estudante de comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autora do artigo, sobrevoa a política americana e nacional e questiona os motivos da moda e comunicação por dar voz ao indispensável.



VOTE EM UMA MULHER


Inúmeras marcas tornaram-se palco para o incentivo à realização do voto nos Estados Unidos, uma vez que a demoraria americana não obriga o cidadão a exercer a participação política. O massivo incentivo da linguagem visual nas roupas, levou milhares de celebridades, ativistas, pessoas comuns e leigos a observarem a importância desse momento para os norte-americanos e o mundo. A consequência: Joe Biden e Kamala Harris eleitos, em 7 de Novembro de 2020, pelo partido democrata. Agora, porque a moda abraçou, tão fortemente, essa tarefa?

Como a moda é uma comunicação entre linguagens, a política, economia e sociedade, fazem parte, bem como influenciam, tudo que compõe a rede da indústria. Isso é, a moda é a ação e a reação do contexto em que está inserida. Luhmann, sociólogo contemporâneo alemão, explicou em seus escritos que a comunicação é um sistema autopiético, o que traduz no seguinte: não há nada que exista fora desse sistema, bem como só ele pode alterar-se a si mesmo, pois os interesses dos agentes realizadores da ação comunicativa precisam sobressair nas relações de poder entre eles mesmos. Uma ação comunicativa, veja bem, pode ser qualquer forma de linguagem, basta que contenha um meio, forma, a quem emane e a quem receba. A moda, logo, é uma linguagem que exerce uma ação comunicativa muito potente, capaz de influenciar o meio que atua, as pessoas que a consomem… por essa razão, o palco político da roupa é fundamental para a era que estamos vivendo enquanto comunidade mundial, afinal, somos o que fotografamos, vestimos, comemos, pensamos… demonstramos!

Há quem questione a parcialidade das grandes grifes ou marcas em ascensão pela escolha de posicionar-se politicamente. Partindo desse ponto, é preciso compreender que, para 2020, aderir ao razoável não é um posicionamento, é uma fundamentalidade. A destruição ambiental, a violência racial, de gênero, sexualidade e nacionalidade, são temas fervorosos dos últimos 20 anos. Porém, vivemos o Black Lives Matter e, mais recentemente, o Justiça por Mari Ferrer, bem como assistimos crianças apartadas das famílias por um muro no México, e também a queda do gênero no London Fashion Week… veja que o contexto não permite mais ignorância, e cada vez mais pessoas lutam para que fique claro que já não se tem interesse em questionar os direitos individuais das pessoas. É quase como se o recado fosse: “economia, política: vocês partem daqui”. A resistência pró-Trump sabe que o cenário que se instaura é conflitante com o velho capitalismo, e por isso compreende que será necessário sair da zona de conforto para ser mais justo, ser mais correto, ser mais diverso. Normal, até onde sabemos sobre o ser humano, dar os primeiros passos requer muitas quedas e possíveis tombos, mas aprender a caminhar é libertador e imprescindível para viver. Nota-se que Biden & Harris, a primeira vice-presidente mulher negra dos Estados Unidos da América, venceram a eleição com mais participação popular da história do país - e isso é só mais uma forma de avaliar os tempos em que vivemos.

E o Brasil? O Jornal Gazeta do Povo afirmou,

“De acordo com estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizadas até esta segunda-feira (28), 180.799 dos 545.452 candidatos que disputarão as eleições em 2020 são mulheres. O número representa 33,15% das candidaturas – pouco acima, portanto, da cota definida por lei, de 30% de candidaturas femininas. Se considerados os cargos em disputa, porém, a porcentagem de candidaturas femininas é bem menor entre as candidaturas a prefeito: chapas encabeçadas por mulheres são 13% de todos os postulantes (2.496 mulheres para um total de 19.141 candidatos). Para o cargo de vereador, por sua vez, o percentual de candidaturas femininas chega a 34%. São 174.284 candidaturas femininas nos Legislativos municipais, em um total de 507.139 concorrentes.”

Esse é o compilado de informações que temos sobre as eleições municipais que estão por vir dia 15 de Novembro de 2020. O cenário brasileiro não é menos caótico que o norte-americano, afinal, além da pouca participação política nesse processo, também vê-se um exemplo ainda menor vindo do Governo Federal, que nomeou apenas 1 mulher ministra, e nenhum prete, parde, indígena… curioso? Talvez óbvio. Jair Bolsonaro declara-se fiel a Trump desde muito antes do seu cargo atual e até agora não se pronunciou sobre a vitória de Biden e Harris. Lembremos, aqui, que compartilhamos o mesmo continente, e tanto Brasil, quanto Estados Unidos, ocupam dentre as maiores economias do mundo… ou seja, quem sabe deveríamos aconselhar novos nomes para relações exteriores brasileiras, porque falta de elegância não deveria fazer parte das características de qualquer governo, especialmente, o nosso.

A moda brasileira tem indicado ou incitado o contexto político diretamente, como no exterior? Não, porque somos uma democracia representativa, e a obrigatoriedade do voto ( 1 voto = 1 cidadão, maior número de votos elege x, e por aí vai…) permite que nossa linguagem seja menos direta. Como canalizar um voto consciente pela moda e comunicação, no Brasil? Pela informação. Ao realizar uma comunicação com linguagens visuais plurais, diversidade de público e um cenário claro das intenções tangíveis e intangíveis da marca, o mercado brasileiro “fala” assim. Há muitas marcas brasileiras com identidades irrestritas que entregam um bom produto com naturalidade. Como é fácil notar uma conduta correta, mesmo por meio do e-commerce, os bons produtos tem se destacado com facilidade no mercado brasileiro, basta observar… já tentou?

Brasileires têm mostrado-se altamente em forma para essa maratona do saudável economicamente e emocionalmente, tanto para o meio ambiente quanto para o pessoal. O motivo que faz o consumidor comprar é uma das alavancas mais potentes para impulsionar a melhoria do mercado como um todo. Em especial, nesse quesito, as mulheres são, mais uma vez, incríveis. Você já notou a força dos coletivos fashionistas formados por mulheres? Percebeu o impulso da busca por autoconhecimento e prazer sexual individual? Notou a mudança de discurso sobre padrões, mesmo que eles persistam de várias formas? Esse trabalho é resultado da luta de muitas mulheres em muitos lugares diferentes da sociedade, mas, destaque vai às guerreiras da indústria de comunicação e moda que perceberam que essa janela precisa ser aberta no lugar mais óbvio possível: a internet, onde todes estão. O mínimo de visibilidade, abertura e espaço ao diverso é o primeiro passo de muitos, porém um dos mais importantes entre vários. A aceitação da indústria de que é necessário mover-se para com a sociedade é o que tem feito o fluxo dos córregos e passarelas mais interessantes e promissoras. Estamos saindo da fase de “dar lugar ao diverso” para o próximo passo mais desafiador: não sabemos qual. É agora que a florescência criativa, individual, sensível e, sim, política, começa a colocar-se no verdadeiro contemporâneo e deixar fluir algo completamente complexo - o nada, a dúvida. Esse cenário é onde a moda age politicamente, no Brasil, porque precisa sobrevoar a si mesmo, e a si mesma, para existir e sobressair ao todo.

Portanto, nota-se que o ciclo que todes participam é incessante e conjunto. Concomitantemente, a moda é indissociável da política. É matemático, por fim, que observemos a quem caminha progressivamente com as transformações do século XXI e estimulemos que cenários mais amigáveis sejam construídos. Se você pensou em Kamala Harris como uma impulsionadora desse pensamento, você acertou. Se você pensou em votar em uma candidata mulher nas eleições municipais do Brasil, você acertou. Se você percebeu que o seu olhar também é um potente agente de transformação, pelo simples poder de escolha ao comprar e consumir, você também acertou. Somos uma rede interligada e responsável por purificar os rios, as estradas, as redes e as tradições que achamos justo eternizar. Saber valorizar as culturas é saber valorizar a si mesmo. E lembre-se que é preciso navegar águas nem tão calmas para tornar-se um bom marinheire, mas precisarás simplesmente navegar.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/breves/estatisticas-candidaturas-mulheres-eleicoes-2020-tse/



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