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MODA & SUSTENTABILIDADE : O surgimento do consumidor, do produto e do consumismo.


Você já parou para pensar desde quando a humanidade começou a perceber que somos parte do ciclo da terra e precisamos velar por ele? E depois? O que fez com as ondas de preocupação incessantes até hoje?

O artigo a seguir foi produzido por Martina Schneider (@louisemartinas) para a Faculdade de Comunicação, Artes e Design da PUC-RS.



MODA & SUSTENTABILIDADE


A década de 1960 foi construída como um dos primeiros momentos históricos na luta por liberdade, consciência e resistência. Os chamados “baby boomers” são a primeira geração de filhos de empresários ricos, frutos do florescimento da indústria automobilística nos Estados Unidos. Esses jovens influenciaram e lideraram os movimentos de Maio de 1968, o festival de Woodstock, flower power… porque careciam de uma linguagem que falasse sobre eles, de roupas que falassem sobre eles, de música que falasse sobre eles. Nesse cenário totalmente favorável, surgiu o marketing e a comunicação de moda que propunha um estilo de vida livre, de paz e poderoso, o movimento boomers. Aqui surgem os primeiros consumidores com estereótipos.

Várias indústrias nasceram nessa época de ouro, visto que o mercado tinha poder de giro, ou seja, quem vende e quem compra pareados na mesma velocidade crescente. Ao passar das décadas, cada vez mais questões começaram a vir a pauta, especialmente no mercado da moda, que foi um dos grandes responsáveis por caracterizar a passagem de novos tempos. De vestidos longos à mom jeans, os anos 1980, 1990, trouxeram para o debate assuntos de sustentabilidade, uma vez que começou a parecer absurdo o uso de casacos de pele animal, bolsas e sapatos aos montes feitos sob uma premissa cruel. Em 24 de abril de 2013, aconteceu o acidente em Bangladesh, no qual uma indústria têxtil desmoronou deixando mais de mil mortos e dois mil feridos, denunciando o crime por baixo da indústria de moda, como bem aponta o trabalho do grupo 10.

O evento batizou o Fashion Revolution, uma iniciativa de denúncia e repúdio ao trabalho análogo a escravidão, que era o chão de grandes marcas de roupas. Acontece que o mundo ainda luta pelo mesmo debate iniciado mais de 7 anos atrás, visto que ainda existe muitas marcas que escondem o verdadeiro processo das suas roupas. Isso acontece, em especial, com as lojas chamadas de Fast Fashion - produção em larga escala de roupas que são vendidas a preços muito baratos no mercado e acabam com produções locais e responsáveis, pois entregam um material mediano porém de custo benefício positivo para o consumidor. Aqui é onde surgiu o produto que hoje domina o mercado de moda, o consumido pela maior parte da população mundial, especialmente Estados Unidos, China, Índia.

Infelizmente, hoje vivemos um consumismo exacerbado resultado do marketing e American Way of Life dos anos 1960, muito mais desenvolvido e específico no século XXI, combinado com a irresponsabilidade social, econômica e política de grandes empresas de roupa como as Fast Fashions. O grande problema não é consumir e vender algo belo. Na verdade, estamos lutando contra a sensação de necessidade constante de acompanhar um mercado hiperveloz que não coopera com o ritmo de compra da maioria das pessoas, tampouco do meio ambiente, e, assim, cria uma dependência do consumo temperado com um marketing que estimula essa relação.

O fashion revolution sofre para atuar no mercado porque é um movimento de consciência e escolha do consumidor, acompanhado de marcas que optam por propor esse caminho. Hoje, em 2020, quase existe o movimento inverso: vender algo supostamente sustentável, na mesma velocidade e formato que anteriormente, porém com o brasão do eco-friendly, uma vez que o way of life passou a ser “eco to be cool”, o que envolve uma nova cadeia de mercado - veganismo, reutilização, informação sobre o produto… todavia, essa tendência pode ser perigosa e enganosa, afinal, quem comprova que algo é verdade? É possível que se adapte uma cadeia inteira para modos mais sustentáveis e, ainda assim, manter valores iguais? Há quem diga que sim, porém o fashion revolution já provou inúmeras vezes que não, e que, para ser de fato consumo consciente, precisamos ser mais bem informados e determinados em novas perspectivas de vida.

Uma prova de que o mundo possa estar, finalmente, caminhando para a transformação, vem da freqüência de desfiles de moda. Grandes grifes de alta costura, como Gucci, vêm criticando a necessidade de apresentar entre 4-6 grandes desfiles por ano (que representam não só produção de roupa, mas de um gasto enorme com transporte, energia… um verdadeiro evento). A grife italiana já anunciou que devidos impactos da pandemia do novo coronavírus, aprender a mudar é fundamental, e já declarou a redução na produção da marca. Essa decisão é simbólica porque o mundo da moda opera quase como pirâmide, ou seja, as grandes marcas ditam, das mais variadas formas, uma cascata de influências para o resto da cadeia. Logo, é evidente que chegamos no limite, e a máxima agora é “você precisa ser mais que bom no que faz, precisa ser bom para todos”.


O marketing e a comunicação, hoje em dia, são uma das máquinas mais importantes na promoção da sustentabilidade e consumo. Isso significa que temos em nossas mãos, enquanto comunicadores, a responsabilidade de promover e impulsionar o way of life of justice, o estilo de vida que podemos tolerar enquanto ecossistema social e natural. Não existe qualquer assunto que tenha passe livre na questão ambiental, e precisamos deixar claro para a sociedade que ser sustentável e defender a sustentabilidade é um dever a quem ama a si mesmo e ao próximo. Desde os baby boomers, passando pelos milenials e chegando na adolescente geração Y, aprendemos que vestimos, falamos, cantamos e pintamos a linguagem que queremos ouvir. Portanto, que o mundo saiba ser tão veloz para o bem quanto já foi para o mal que espalhou pelos cantos do globo. A moda e a comunicação estarão contigo. Vai, planeta!

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